sábado, 7 de junho de 2014

Crew mess I




You justo need someone to make you feel something – disseram-me.

Se o To Zé martinho aqui viesse tinha mais novelas do que nunca para vender para todos os canais de televisao! A crew aqui podia dar mil e uma historias.. o problema é que não as ouço a todas, porque são demasiado supérfluas e não são o tipo de historias que me interessam, e no fundo não são historias, são coisas deles so. Aqui so se magoam uns aos outros. Fazem-no porque sim e muitas vezes sem preocupação. É o meu ponto de vista, e por isso as historias que ouço não retenho porque não me interessa—mas hei-de partilhar algumas!
São pessoas que, tal como todas, precisam de atenção, de sentir alguma coisa, que (muitas delas) não sabem estar sozinhas. São pessoas como todas as outras, no fundo. Mas que se esquecem que vivem num ambiente um bocado diferente.
Claro que toda a gente tem o direito de sair e beber uns copos e curtir aqui e ali, a diferença é que toda a gente se conhece aqui, isto é mais pequeno que uma aldeia. Toda a gente sabe tudo e falam da vida dos outros porque a própria vida no fundo é igual…
Estão todos lixados das ideias. Quer dizer, não todos.. mas a grande maioria sim.
Quando tiver paciencia conto-vos as historias deles, que não são nada de especial, mas enfim….

< 3

Podíamos ser tão felizes, pá, 
 o que raios falta no mundo para tanta gente chorar?, 
 encosto-me ao sol, as pessoas estendidas na relva, 
algumas mergulham na piscina,
 não lhes falta nada e no entanto têm tanto para chorar, 
a vida tem sempre tanto para chorar, não é?, 
 a morte de um amigo, ou conhecido,
 a dor no pé, na mão, no peito, 
um arranhão que o gato fez, 
o miúdo que só faz asneiras, danado, 
a promoção no trabalho que nunca chega, 
o desemprego há tanto tempo, o governo que mente, 

e de repente os teus olhos, a vida tem sempre tanto para querer, não é?,
 existe desde logo o sol,
 em quantos mundos não bastaria este sol para não haver mais motivos para chorar, sabes-me dizer?,
 o mar pode ser só um monte de água salgada mas faz tanta gente feliz, já viste?,
 provavelmente é só isso que todos precisamos, nada mais, 
ver num monte de qualquer coisa algo que nos faça felizes, 

 um monte de beijos, queres?, 
 e tu vens e já não me interessa o choro nem sequer o sol, 
e estou-me nas tintas para o monte de coisas que me faltam, 
 um monte de nós, sim?, 
e só quem não sabe onde acaba um abraço pode não gostar de encontrar uma vida assim, 
coitados." 
Pedro Chagas Freitas

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A ultima lua de mel.




Tive o prazer de conhecer um casal assim mesmo velhote. Uns queridos, surdos que nem portas e eu sentia-me mal por ter de falar alto com eles, porque eles eram queridos.. mas tinha mesmo de ser. Perguntei-lhes ontem se voltavam,  e els disseram-me me que não. E depois explicaram-me que aquela era uma viagem planeada há muitos anos, que tinham andado a poupar muito tempo para poderem faze-la.. queriam ter vindo durante mais tempo, mas não tinham hipótese. Disseram-me que aquela seria a ultima viagem deles porque quando regressassem a senhora ia ser operada mais uma vez, tinha uma doença que não me lembro o nome, mas que estava muito avançada já e estava a faze-la ficar cada vez mais fraca. A senhora já não tinha um olho e via-se que estava debilitada, mas gostava muito de andar, apesar do marido não a deixar passear muito.
Quando regressassem a casa ela seria operada mais uma vez, e muito provavelmente pela ultima vez, porque havia uma probabilidade muito escassa de sobreviver. Mas mesmo assim, eles querem fazer a operação. O senhor já tem quarto reservado num lar e pôs a casa á venda, porque não quer ficar la sem ela. Ela diz-lhe todos os dias o quanto o ama e tem-lhe escrito cartas para ele ler depois de ela partir. São o casal mais amoroso de sempre.
Esta é a viagem da vida deles. Aquela que tanto queriam. E conseguiram faze-la juntos.  E eu fiquei muito feliz por saber disso. Apesar de saber que hoje regressaram a casa.
Vamos esperar que corra tudo bem.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

crew mess



A historias da crew… dava para fazer umas belas novelas! Se a TVI soubesse já tinha mandado alguém para um barco para escrever um guião.
Desde as traições, aos romances, ás amizades e ás despedidas… as bebedeiras, a solidão, a necessidade de preencher vazios.
No fundo acho que é tudo baseado nisso mesmo, a necessidade de preencher um vazio.
Aqui ninguém se conhece profundamente, aqui ninguém se preocupa realmente.
E há tanto para dizer sobre eles que nem sei bem por onde começar…
Hoje não, mas amanha tento escrever mais sobre eles!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Ontem dancei com um campeão de dança.




Estávamos a fechar e não havia mais ninguém, ele é Ambassador Host do barco, no fundo esta aqui para animar as senhoras e dançar com elas. Mas não é pago. É um contrato especial, que nunca percebi muito bem como funciona. Mas continuando, não havia ninguém e o senhor X que é um querido veio tirar-me a bandeja das mãos e levou-me para dançar.
Nunca tinha dançado com um profissional antes, muito menos musica clássica e num ambiente a serio.
Enquanto dançávamos contou-me que a dança o salvou. Dança apenas á dois anos e já ganhou um campeonato e esta feliz a dançar todos os dias num cruzeiro, para não falar que agora consegue todas as mulheres que quer. Mas não quer nenhuma.
Perdeu a esposa à 2 anos atras e perdeu a saúde. Ficou muito mal, perdeu 30kg e foi internado no hospital. Achava que a vida dele nunca mais seria a mesma mas achou que merecia mais. E que se continuava ca era porque ainda tinha coisas para fazer.
Então começou a dançar. Teve aulas e depois começou a dar aulas, ate que entrou num campeonato e ganhou. Dança todos os dias. E é pela dança que vive agora. Diz que a dança lhe salvou a vida, eu ca acho que ele se salvou a ele próprio ao dar uma hipótese a si mesmo de ser feliz de novo, apesar de ter perdido o amor da vida dele.
Neste momento olho-o sempre com um sorriso e um carinho especial. a minha primeira dança foi com ele. 
E a historia dele é linda. E serve para aprendermos que pode sempre haver um novo recomeço, mesmo quando achamos que já mais nada faz sentido.

sábado, 31 de maio de 2014

Sra. Presidente


A Edie é a presidente da empresa e esteve ca de lua-de-mel. Vive e trabalha em Los Angeles e tem um marido que é mais gay que muitos que conheço, mas que se diz apaixonado por ela. Há coisas que não entendo, aquele casal é uma delas. Mas enfim, deixai-os!
A Edie é uma querida, que agradece por tudo e por nada e que valoriza o trabalho de cada um de nos. É uma querida que se senta com os convidados mais importantes e antigos do navio, sabe o nome de todos e as suas historias. É uma querida que se preocupa, mas que também sabe ser assertiva quando tem de ser. A Edie é fixe, apesar de todos terem medo dela.
Mas o que me leva mesmo mesmo a falar da Edie é… o cu da Edie!
A Edie tem o maior rabo que eu alguma vez vi! Quer dizer, não é o maior.. mas vou tentar explicar-me. Tendo em conta que ela, da cintura para cima, ate se pode considerar magra, tem uma cintura fina e delineada e não tem barriga nem nada dessas coisas… da cintura para baixo tem uma bunda de meter respeito! MESMO!!
Sempre que estou nos eventos da Edie so consigo pensar como é possível alguém ter um cu tao grande!
Nunca consegui encontrar uma foto decente da Edie que mostrasse o seu belo rabo, mas espero um dia conseguir para vos mostrar.



sexta-feira, 30 de maio de 2014

mudanças.

Mudar é sempre bom. Mesmo que seja no mesmo sitio. Mudei de quarto. Mudei de colega de quarto. E isso tenho a certeza que me fará bem.
Costumava viver com uma Romena hipócrita e falsa e com muitos problemas com a vida. Não era fixe. Mas isso conto-vos depois.
 Por agora tenho a dizer apenas que não quero que os meus amigos que lêem este blog se continuem a preocupar com o que aqui escrevo. Sim, eu sei que o que tenho dito aqui não tem sido bonito nem fácil de ler, e sei que os que se preocupam preocupam-se mesmo. E fico-vos grata por isso. Mas quero que saibam que aqui desabafo porque sei que quem me conhece me ‘ouve’, mas não vos quero preocupados.
Portanto, tomei uma decisão… vou usar este espaço para contar historias.
 As historias que aqui ouço são imensas, e algumas são fenomenais, outras tristes, outras amorosas… mas são sempre historias, de pessoas reais e que veem em mim algo para me contarem as suas historias. E eu gosto disso. Adoro ouvir e detesto falar. Portanto para mim esta bem assim. E portanto, vou ocupar este espaço com as historias dos outros… enquanto a minha se vai compondo e encaixando.
Espero conseguir conta-las a todas… espero conseguir manter a coisa actualizada.. espero que fiquem mais descansados comigo, que ca vou indo com muita calma e não quero que continuem preocupados comigo.

domingo, 25 de maio de 2014

nem isso.

nao ocnsigo concordar com isto.
nao é verdade. nao pode ser verdade.
se deixamos as coisas que amamos livres significa que as amamos verdadeiramente.e nao podemos ficar á espera que voltem... isso é so estupido. muito menos pensar que se nao voltarem ´porque nao foram nossas. isso é egoista.
para mim isto nao passa de uma especie de chantagem. é so nisso que penso quando vejo esta frase.
se nao ovltas para mim é porque nunca foste minha.
nao ocnsigo entender isso.
quem é que deixa alguem que ama livre e depois escreve isto?
nao faz sentido. nao tem logica.
nao consigo concordar.
nem compreender.

Não pertenço aqui. Não sorrio muito. Não sou muito sociável. Não gosto de falar. Já não bebo so por beber. Não danço so por dançar. Não gosto de dançar. So com elas. Não gosto que se metam comigo. Não gosto de não ter nada para dizer. Não gosto de ter sempre as mesmas conversas. Não gosto de ter de inventar conversa. Não gosto de não ter ninguém que de facto se preocupe. Já disse que não gosto de socializar?
Desde pequena que me habituei á minha presença. Eu e eu. A solidão é uma contante em mim. Viver num meio pequeno e sme muitas pessoas da minha idade levou-me a criar um mundo so meu. Um universo paralelo. Mesmo rodeada por dezenas de pessoas, a minha cabeça sabe sempre arranjar cenários e conversas em paralelo ao que esta a acontecer. Habituei-me a mim própria.
 Não que goste muito disso. Mas aqui é o meu escape.

horas horas. tantas horas.

Aqui conto cada dia. Cada hora. Cada segundo. Sempre que paro um bocadinho penso naquilo que não quero. Como sera que estão por la? O que andará ela a fazer? Se estivesse la o que estaria eu a fazer?
Pára de pensar Rita.
 Aqui o tempo não passa.



Merda.