Talvez a resposta mais sensata fosse simples: não se escreve.
Mas há sentimentos que não desaparecem só porque escolhemos o silêncio. Ficam. Sem nome, sem definição, apenas presentes.
Queria dar mais um passo. Não por expectativa, nem por esperança de um desfecho, mas pela curiosidade de descobrir até onde esse passo nos poderia levar.
Só que há passos que não se podem dar sozinhos. E quando percebemos isso, ficamos imóveis — suspensos entre a vontade de avançar e a impossibilidade de o fazer.
E permanecer parado também cansa.
Pergunto-me se, com o passar dos dias, isto acabará por ganhar um nome. Ou se, enquanto continuo aqui, à espera sem admitir que espero, as coisas acabarão por se resolver sem que eu precise de mover um único centímetro.
Há qualquer coisa de estranho neste estado de suspensão: como se eu estivesse à porta de algo que sinto profundamente, mas que ainda não sei descrever.
É como olhar para uma montra. Vemos a beleza, reconhecemos o desejo, mas não conseguimos dizer exatamente o que é.
E talvez seja isso o mais difícil: sentir tanto por algo cujo nome ainda não sabemos pronunciar.