sábado, 25 de julho de 2026

 Nem todos os amores vêm para durar; alguns chegam apenas para nos devolver a nós próprios.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Antes que seja tarde

 


Há amores que não chegam para ficar. Chegam para despertar partes de nós que estavam adormecidas.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Como se escreve a alguém a quem já não podemos escrever?

Talvez a resposta mais sensata fosse simples: não se escreve.

Mas há sentimentos que não desaparecem só porque escolhemos o silêncio. Ficam. Sem nome, sem definição, apenas presentes.

Queria dar mais um passo. Não por expectativa, nem por esperança de um desfecho, mas pela curiosidade de descobrir até onde esse passo nos poderia levar.

Só que há passos que não se podem dar sozinhos. E quando percebemos isso, ficamos imóveis — suspensos entre a vontade de avançar e a impossibilidade de o fazer.

E permanecer parado também cansa.

Pergunto-me se, com o passar dos dias, isto acabará por ganhar um nome. Ou se, enquanto continuo aqui, à espera sem admitir que espero, as coisas acabarão por se resolver sem que eu precise de mover um único centímetro.

Há qualquer coisa de estranho neste estado de suspensão: como se eu estivesse à porta de algo que sinto profundamente, mas que ainda não sei descrever.

É como olhar para uma montra. Vemos a beleza, reconhecemos o desejo, mas não conseguimos dizer exatamente o que é.

E talvez seja isso o mais difícil: sentir tanto por algo cujo nome ainda não sabemos pronunciar.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

 dizem algures que a primavera começou. tudo deixa de fazer sentido. o inverno deixa de existir. 


as estaçoes nao se vivem, aparecem-nos pela frente. isto nao se pára.


 num hotel escrevo estas palavras. foi bom estar longe. mas é melhor voltar. 


montanha

 estranha forma de ser feliz, aquela que nunca sou. aquela que sempre busco.

 acordo cedo. tento fazer as coisas. na verdade de quando em vez há devaneios. noites que se dorme pouco. tenta-se viver mais rápido. falar com os outros, por cima dos outros, pela noite sempre se ouve melhor e se explica mais alto. são só impressões. mas depois as pontas dos dedos não sentem os lençóis da mesma forma. o suave da colcha por cima da cama não te aquece como devia 

ansiosa. não tens resposta para nada. as palavras que não fazem desenrolar a língua. os dedos presos ao impasse na incerteza. do alto da montanha vemos o mundo inteiro,  do alto da montanha cabe tudo numa mão. não há ouvido que ouça pior, não há falta de vista. vejo todos lá em baixo, em cima o céu. aberto como as feridas do dia depois. do alto da montanha vejo os rios.

 a vida é decidir, bem ou mal. 

estranha forma de ser feliz. aquela que nunca fui capaz de escolher. 

sincronismo

 o sincronismo é uma das formas mais intensas de amor que existe. 

somos feitos das escolhas que fazemos. umas mais fáceis, outras mais difíceis. ser feliz é estar ligado, sem cabos pelo meio. 


chuva

 a chuva intensa faz-me querer ficar em casa, o peso da ausência de forças para contrariar a preguiça é atroz. castradora. pesa-me na alma. o tempo a passar. o tempo a chover e aqui dentro a calma aproveitamos o tempo para olhar o infinito. a vontade de fazer tudo aquilo que não tenho. haja a chuva para encher os rios e as barragens. 



segunda

Uma semana passa-se devagar. ontem era terça, hoje já é quinta. logo será domingo que desta vez é segunda. 

o tempo que se passa entre os dedos que deslizam sempre para o que devia ter sido feito. vivemos um dia de cada vez para não se pensar muito naquilo que devíamos fazer 

digam amo-te o maior numero de vezes possível, descansem nos braços um do outro. não deixem o frio entrar. pensem sempre, contrapor é um prazer único. 


Todos podemos um dia ser aquilo que sonhamos ser. com luta, sacrifício e amor. todos nós partimos e fugimos do passado. todos nós amámos amores que não são correspondidos, e inspiram-nos mais do que tudo, dizem por ai. todos nos lutámos na profissão para que essa meta atingida ultrapasse a dor de não termos aquilo que na verdade nos faltou. 

Todos nos amamos, crescemos e morremos. 

Todos nos sonhamos quando somos pequenos, e morremos quando não temos nada para sonhar. 

sexta-feira, 18 de março de 2022

 Não resolvi gostar de ti. Não houve um dia em que me apeteceu passar a amar-te. Não optei desejar-te e querer-te. Não decidi aquilo que sentia e queria. Não planeei sentimentos e emoções. Não controlo saudades e ansiedades.

Não decido. Não me apetece. Não controlo. Não planeio. Não opto.
Gosto de ti sem escolher. Amo-te indeliberadamente. Querer-te não é um plano. Desejar-te não é por opção.
Não se escolhe sentir. Não se decide amar.
Ama-se. E pronto.
[Rita Leston. E Então?]

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Aquele Domingo.


tudo dorme ainda. alguns nao se deitam. ja estive nos dois lados da moeda. nao sei qual os dois mais gosto. 

sonhei que desistia de tudo. sabemos que deitados nada é real. tudo nos aparece. tudo decidimos da mesma forma. mas nada e palpável. nada se faz.

acordei como de costume nestes dias. com coisas na cabeça. algumas esqueço-as. outras nao. 


agarro-me ao tempo. ele que nos escapa. com tempo as coisas fazem-se. por isso aqui estou eu a escrever nao sei o que e nao sei para quem. mas para mim. para poder dizer que fiz.

no sonho desistir era ser feliz. contudo, nao sei se existiam gaivotas.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

 porque ha musicas que nos fazem descer ainda mais fundo. 

quando as memorias se atravessam a nossa frente.

sem sabermos bem se vivemos ou nao o que estamos a ver. como o desejo que nao sabemos se existe ou nao. se é o ego a pedir que o corpo viva um pouco mais. acima de tudo e de todos. onde se guarda a excitaçao do momento. deixei de sentir isso.

hoje senti mais que ontem. desta vez nao senti. nunca mais senti. sem ti. 

a barriga a viver por nos. como o ego que quer sempre mais de nos. 

insasiavel loucura. 

ganha-se e perde-se. pistas nunca antes dançadas. jogos nunca antes jogados. estradas nunca antes conduzidas. praias nunca antes mergulhadas. cabelos nunca antes tocados.

o ego quer sempre mais. o ego insasiavel, como um vulcão em ebulição. mesmo a tua frente. a loucura na mao direita e o devaneio na mao esquerda. aquele que nunca descansa. 

e tu que nunca sais de ti. porque custa mais do que ficar. nao fazes nada que nao te apeteça fazer. nem sonhas mais com coisas boas. 


como os rios descontrolados que invadem as margens. a vida que nunca foi vivida. 


uma semana de efemérides.

mais uma semana de trabalho. a ouvir o que será o futuro. nao o de muito longe. mas aquele ja aqui ao lado


de manha o sol. de noite a lua. dormimos e acordamos. nos dias que cumprem a sua função. 

depois ha a vida que se vive. depois a vida que se espera ter. 

depois as pessoas que conhecemos e que passam por nos. todos os dias. todas as vidas. 

quantas vidas se escondem por trás das vidas que nos cruzam pela frente. 

os medos. as frustracoes e as vivencias. 

as peles que tocaram. as peles que tocamos. os cheiros de cada um de nos. 


sexta-feira, 5 de novembro de 2021

sexta-feira

Da semana trago o cansaço. O corpo a não descansar quando se deita e fecha os olhos. Da semana trago a alegria do reencontro. da semana trago o sal do mar nos lábios. o frio do corpo que mergulha. a testa que rompe a onda suave e fria. intensa. da semana trago-te a ti. da semana trago o sal das lágrimas juntas.

a vida que nos dê tudo. e seguimos aqui. 

Da semana trago-me a olhar em frente.

aos poucos a névoa passa. 



terça-feira, 2 de novembro de 2021

33

todos temos paginas em branco que se motivam com as paginas mais negras da nossa existência

do coração nada levamos, apenas a batida. aquela que nos bombeia o sangue. 

é isso mesmo, a raiva precisa de mais batidas por minuto. o amor também. 

todos temos paginas por escrever, quanto mais nao seja inspiradas por aquelas que mais nos custa lembrar.


as nuvens estao cada vez mais perto de nos. tudo esta nebuloso. o calor húmido que faz colar a roupa ao corpo. a cabeça também esta colada.

esta tudo filtrado.

a luz do sol escondida. tempo de trovoada. 

devia ter conseguido dormir mais. 

Tenho 33 anos. 







domingo, 31 de outubro de 2021


 

 E agora? O que fica?

Para onde vai isto tudo que tinha guardado aqui para te dar?

O que é suposto fazer?

Deste-me tao pouco, eu sei… culpa minha que tenho esta mania de multiplicar tudo.

Multiplico e tu divides. Subtrais. E eu so multiplico.

Quero-te tanto. Nem eu sabia o que estava aqui dentro.

Foi como uma rastilho para a pólvora. E que pólvora. Dinamite dentro de mim sempre que te penso.

Fecho os olhos e estas aqui. Arrepias-me. Abro os olhos e estas la. Com ele.

Que tortura.

Preciso da tortura para não te pensar. Para não te gostar.

Tortura-me e deixo de gostar de ti. Diz-me que és feliz e deixo de gostar de ti.

Diz-me que não. So mais uma vez. E deixo de gostar de ti.

Queria tanto que fosse assim, fácil.

O que é que se faz ao que tinha aqui dentro, para ti?
tinha tanto. Demasiado. E mesmo assim nunca o suficiente.

Insuficiente. 

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Cola UHU

 Sobrevivemos.

A primeira dor no coração dói, mói e remói. Faz e desfaz tudo por dentro, mas não mata. Parte algumas coisas em caquinhos, e é verdade que há quem passe o resto da vida de cola UHU a postos. 

A primeira, e todas.

Cada gesto novo, um colar dos cacos.

É a vida. A vida é assim mesmo, um dia agente chega e noutro vai embora. 

Não há nada mais popular que um coração partido, arranjado. Desarrumado. Colado.




é tudo muito simples, nada simples e ao mesmo tempo muito simples. 



Matilde Campilho


 

Thank you